Se eu deixar de pensar, paro de existir?
Não sei,
mas o rio continua correndo
quando ninguém o observa.
Se eu seguir o pensamento de outro,
existo por ele?
Não.
O caminho pode ser emprestado,
mas os passos ainda são meus.
Se eu pensar sem parar,
que existência me aguardaria?
Talvez a de uma ave
que conhece todos os ventos,
mas nunca pousa.
Eu existo só para pensar?
Então por que o coração acelera
antes da razão chegar?
Por que a lágrima cai
antes de encontrar um nome?
Por que o abraço consola
antes de ser compreendido?
Penso, logo existo?
Talvez.
Mas também sinto, logo permaneço.
Amo, logo me transformo.
Perco, logo aprendo.
E quando o pensamento se cala,
ainda resta alguém
ouvindo o silêncio.